distância identitária (displacement)

fiz essas fotos um ano e meio depois de me mudar pra fortaleza, e alguns meses depois dos meus pais deixarem a casa na qual vivi a maior parte da minha vida. morávamos em um lugar calmo, há uns quinze minutos da cidade, e ali passei mais da metade de minha vida. sair de um lugar assim e passar a viver numa avenida movimentadíssima no centro de uma capital quase dez vezes maior que minha cidade natal foi um deslocamento impactante. tudo o que produzi nos primeiros semestres da faculdade refletia isso. mas talvez uma segunda mudança, tenha me marcado ainda mais. perceber que “voltar pra casa” seria completamente ressignificado. essas fotos retratam essa percepção afetiva e corporal. são imagens de uma saudade que não se pode curar completamente. Dois espaços semelhantes, geograficamente separados. Os móveis das salas são os mesmos. que lugar é esse? como entender esse reflexo de um lugar anterior, que carrega afeto, uma sombra do que se tinha como casa? como essas mudanças afetam o corpo? o que é o corpo nesse novo lugar? eu aqui sou um, e tento entrar em contato com aquele quem eu antes fui, em um lugar que pretende ser o que outro era.

“o passado é uma roupa que não nos serve mais” belchior 

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